Onde Mora a Poesia
Nas sombras que o sol derruba em alguns recantos do jardim, pela manhã. No pedaço de lua que aparece no vitrô do banheiro. Na luz das velas, quando falta energia e também quando não falta. Nas pequenas casinhas, semelhantes as de um pequeno vilarejo, que enfeitam cada degrau da escada. Em todas as mil peças do quebra-cabeças de Paris, montado a várias mãos, sob risos, cantorias e discussões animadas. No cheiro de café (como não ser clichê?), a qualquer momento do dia. No aninhar dos gatos, principalmente quando me incluem. Na "Ave Maria" que toca na Matriz todos os dias às 17:55, e ecoa até às minhas sacadas. No roupão cereja e nos óculos escuros, caminhando juntos pelo jardim ao redor da casa, na fuga da clausura. No sol se pondo no terraço, com todos os prédios envoltos em dourado, testemunhando a bela cena. No verniz fosco recém-passado na cadeira antiga do pai de Paula (sabemos porque ela ficou aqui). Nas flores que abriram hoje pela manhã. No cheiro do pão no forno, de...